Capítulo 12
(Daniel Barbosa)
“Vou te botar de quatro
Eu vou, eu vou
Vou enfiar o meu grandão (Com muito carinho , dá a chupadinha)
E vou fazer você dançar, com a mão no meu loló
Dançar o funk forró“
O que mais me irrita nesses funks é que é quase tudo no diminutivo ou aumentativo , saka? “dança da motinha”, “pankadão”, “Bonde do Tigrão”. Eca, que troço mais trash, é algo completamente anal-fabeto, os caras colocam no diminutivo ou aumentativo porque é mais fácil de rimar. Porra, lá em cima a putaria continuava, a única coisa que poderia fazer era colocar um som “punkadão” aqui embaixo também. Procurei nos meus Mp3 e achei uma pasta do Motorhead para me alegrar um pouco (Ace of Spades, Ace of Spaces). Fico lá na cama ouvindo Motorhead e lendo um poema antigo meu:
OS RETALHOS PSICÓTICOS
Não venha me dizer
O meu lugar
Enquanto você tenta viver
Eu morro a sonhar
As vezes sou Fernando Pessoa
Outras sou Napoleão
Nem sempre
Não sou a mesma pessoa
(uma falha na transmissão)
Eu não aquento mais
tanta gente por perto
500 mil
E estão todos deitados em minha cama
E falam sem parar
Todos olham para mim
Não consigo nem sonhar
Dentro da solidão você me espreita com sua faca afiada.
Esse poema fiz inspirado numa garota que tive antes de conhecer Kétlin, O nome dela era Gretchen (sabe aquele conto de Ruben Fonseca que o cara trabalha cuidando de velhinhos e tal? É, foi inspirado nele que eu dei esse nome para minha namoradinha). Gretchen era estudante de Medicina, Magrinha e tal (isso dependia do dia, às vezes eu enchia ela demais com ar) e comunista tardia, porra, ela implicava com minha camisa do Ramones que tinha uns tacos de Beisebol, dizendo ser coisa de Porco Alienado Vendido Ao Sistema Capitalista Selvagem Ou Até Coisa Pior. É, talvez eu fosse coisa pior mesmo. Um dia eu falei para ela:
-E se Che Guevara for um Alien?
-Como assim?Aliens são seres criados por Hollywood.
-Você não acredita em vida fora da Terra?
-Não, eu sou materialista.
-Mas eu não falo em coisa espiritual, falo em algo alienígena.
-Mas nós, seres do terceiro mundo, não somos alienígenas aos olhos dos imperialistas?
-Saco hein Gretchen?
-Você sabia que essa expressa “saco” foi introduzido no Brasil através dos filmes americanos?
-Mesmo?E eu com isso?
-Você não deveria usar, seria melhor usar “vixi” ou “oxente” ou até mesmo o Bah dos Gaúchos.
-Mas o oxente nordestino não vem de Oll Ant?Ou seja, todas as Formigas?-inventei isso na hora, só para tirar um sarro, eheheehhe.
-Como?Nunca ouvi falar!
-É Sério.
-Bom, chega de papo, vou ali ler O Capital de Marx.
Mas antes disso eu a furei com a ponta de cigarro, porra, que mulé chata, esse papo deixa o pau de qualquer um mole. Por isso eu prefiro a minha Kétlin, que não tem esse negócio de Comunismo e outras milongas mais. O negócio de Kétlin é novela Mexicana e Big Brother. Ela até mandou uma fita para ver se entrava na casa, mais não passou. Eu produzi ela toda, a vesti com sua roupinha Sado-masô atuando com o macaquinho que eu tinha comprado para o realejo e mandei ela falar:
-Hey Bial, se eu entrar na casa vou dar a todos muita dor e amor.
É acho que o pessoal na globo não é adepto, mas assistindo a programação normal do canal eu pensava que o pessoal curtia o lance sei lá, acho que foram as mensagens subliminares que me fizeram pensar assim.
Daniel Barbosa - 11:51
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20.1.05
CAPÍTULO 11
(Marcio de Almeida Bueno)
Realmente os vizinhos eram uma tranqueira e tanto. No geral "vizinho" é um ser desagradável, sempre tive para mim o vizinho como uma pessoa chata que vai buscar frango com polenta aos domingos. Pior o que diz "com polentinha", aí só matando mesmo. De maneiras que minha vizinhança era uma cruz a carregar, mas o que é ruim pode ficar descer ainda mais na escala evolutiva dos condomínio, vizinhanças, fronteiras habitacionais e demais limites urbanos.
Pois de uma feita mudou-se para o apartamento de cima umas funkeiras, a imobiliária só deu aluguel por três meses, porque viu que era confusão na certa, fiquei sabendo nas fofocas de corredor. Estava eu certa noite entregando-me aos prazeres solitários da leitura, quando começou aquele batidão em cima da minha cabeça. A letra era um troço horrível, e o vocal parecia ser berrado através de um megafone. As moçoilas acompanhavam o pancadão pulando pelo apartamento, e eu ficava como o Pica-Pau naquele desenho em que ele estava hibernando, aí o Leôncio começa a usar a britadeira, e ele fica pulando sem controle. Era algo assim. Botei um chinelo e fui lá tirar satisfações.
Blim-blom. Blim-blom. Blim-blom-blim-bloooom.
- (voz abafada) Tem gente, tem gente! Atende!
Abriu a porta uma das moradoras, ou uma amiga das moradoras. Todo mundo de short e camiseta com nó no lado, sabe aquele esquema de pegar o canto da camiseta e dar um nózinho pra ficar 'tchans'? Pois era isso, aliado a um fumacê daqueles. Caixas pelos cantos.
- Boa noite, eu sou o vizinho do apartamento de baixo, quem é a responsável?
- Sou eu, paixão - disse a mais escrota das figuras, atirada em um puff no começo do corredor, sentada de pernas abertas, como se fosse um homem - mandaí.
- Não, é só que... tá meio tarde pra muito barulho, está incomodando - tentei fingir firmeza, mas eu estava de certa forma inibido frente àquelas mulheres selvagens, rotundas, facas-na-bota, pisando firme. Se uma delas fosse a Tati Quebra-Barraco, não me espantaria.
- Ah, você não gosta de funk é? - perguntou a mulher com cara de cofre
- ...Depende. Eu gosto de Motown - respondei, continuando o fingimento
- Aqui é só Dança da Motinha, mermão - uma falou, fazendo as outras rirem.
- Tudo bem, dá pra baixar um pouco o som?
- O boombox é meio ruim, se baixar muito não se ouve nada, sua foto tá no fundo da privada - disse a 'Tati', improvisando uma rima. O resto da sala caiu na gargalhada, e eu ali, de pé, de chinelo, com medo de um bando de mulheres, torcendo para o namorado de alguma delas não aparecer de repente.
- Olha, não quero confusão - falei, enquanto puxava a porta e saía de fininho.
Lá dentro, eu tomava a maior vaia. Desci as escadas, entrei no meu apartamento. Pensei em ligar para o síndico, mas eu nem sabia quem era o novo síndico. Talvez uma delas fosse vice-síndica! Não ia ser a vice-síndica mais bizarra que eu já vira na vida. Lá em cima, o tum-tchi-tum-pá continuava firme, muitas gargalhadas, uma garrafa se quebrando. Aquele era um dia atípico, eu estava pacífico e até inibido, a visão daquelas mulheres debochadas e bundudas ia me acompanhar até na hora de dormir. Tomei uma bola para pegar no sono, fechei bem os vidros e pronto. Abracei a Kétlyn e deixei a química fechar meus olhos. Três meses passam rapidinho.
marcio de almeida bueno - 23:26
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Capítulo 10
(Daniel Barbosa)
Isso, isso, isso. As coisas estavam entrando em ordens, sei que passei um tempo sumido, ok, mas tou de volta, não estou? Estava passando um tempo bem Homeless cuidando de minha Kétlin que ficou um pouco traumatizada (física e psicologicamente) com tudo aquilo que se passou nos últimos dias. Andei até levando ela ao psicólogo, mas ele me falou que ela não coopera, que ela é meio introvertida. Talvez seja mesmo, mas não na hora de “revirar os zóin” (como diz o mestre Ratinho).
Matei dois coelhos com uma caixa dágua só: arrumei um estágio de digitador e Buana buana, uma amigo meu de Porto de Galinhas me chamou para escrever um livro on line onde cada um escreve um capítulo por vez. Legal, chega de marasmo. Ele escreveu o primeiro, eu fiz o segundo e tal, a coisa estava andando, mas sempre tinha alguns babacas para dizer que havia alguns erros de português. Phoda, porque você não vai ler Machado de Assis? Karalho, sempre odiei esses protetores da língua, mó Pasquale.
Meu primeiro dia no estágio foi phoda: Seu Almeida me colocou num PC do tempo das cavernas com uma conexão horrível e pior de tudo, eu tinha que ficar o tempo todo com os pés encolhidos porque o CPU ficava embaixo do monitor, fiquei com uma dor feladaputa nos joelhos. Quando eu tentei arranjar uma posição legal, o chefe disse:
-ô rapa, assim vc vai estragar a máquina.
Grrrrrrrrrrr, feladapu.
Aí me passou um monte de textos dementes para digitar, uns poemas bem mongolóides de uns advogados amigos seus, cheios de erros de português, (bom parece que estou me contradizendo nés? Mas, porra, eram erros tipo “homem” escrito com “n” no final etc) e eu nem podia consertar (ou seria concertar?) porque os caras são “adevogados”. Então bola pra frente, numa sala quente pakas (o miseravi desliga o ar condicionado quando sai da sala, Tio Patinhas total). Digito tudo rapidinho e fico jogando tétris até encher o saco, Pensando na pele lisinha de Kétlin. Sete horas caí fora dali (só salvou o dia a amiga da filha do chefe que é mó gatinha e deu bola mas, droga, eu não consigo trair Kétlin). Aí tá, caí fora daquela escola técnica de merda, passei na banca comprei quadrinhos e fui para casa. Quando estava chegando tinha um monte de gente na porta do prédio, o vizinho cachaceiro estava espancando mais uma vez o irmão cego, que sempre estava com um gato na coleira (sério, pense aí, um gato conduzindo um cego). Perguntei para alguém e me disseram que tudo começou por causa de uma camisa do Vitória, que o cego estava procurando e o irmão tinha escondido , mas logo no dia de Ba-vi, aí o cego começou a xingar o irmão, pronto, o irmão pirou e começou a espancar o cego. Ela estava escondido no canto no playground do prédio parecendo Smigol de Senhor do Anéis saca? Porra, por falar em Senhor do Anéis, tenho lembranças lindas de quando li o livro, eu trabalhava pintando letreiros em muros para políticos o dia todo, e a noite chegava em casa todo fudido e eu ia ler o livro, isso durou um mês, o que é bom sempre acaba. Mas voltando a Família Alves (o apelido da família dos meus vizinhos), rapá, os caras são totalmente junkies, tem o cachaceiro que é pai de dois filhos, um é ladrão e o outro é freak, tem a cara todo queimando e é meio mongolóide, vive aprontando na rua jogando pedras nos outros, a mulher do cachaceiro também é freak, tipo aquele filme saca? que as pessoas tem as cabeças pequeninhas, eu acho que ela foi pega por alguma tribo de índios encolhedores de cabeças ou algo assim, e também tem a cara um pouco queimada, que segundo a lenda foi o pai que jogou água quente no filho e na mulher. Bom, completando a família tem o cego Do Gato na Coleira Louco Pelo Esporte Clube Vitória, tem a Mãe Que Só Vive Toda Arrumada Parecendo Que Vai Para Uma Festa e os amigos da família vivem vindo a casa fumar unzinho ou tomar umas. Teve um dia a noite que o cego se trancou no quarto com uma puta, a mãe estava sozinha em casa, e o cego com a puta numa casinha que fica ao fundo. A velha gritava:
-Roberto, que você ta fazendo aí Roberto?
-Nada mãe!
-Nada o que Roberto. Você tá com aquela puta de novo menino? Essa puta tem aids Roberto.
-Tou fazendo nada mãe.
Esse papo aos gritos durou horas, aí depois de um tempo a velha desceu até a casinha dos fundos, de salto alto, vestido de noite, toda arrumada, parecia uma daquelas bruxas que aparecem na Caras, tipo Hebe, sei lá, começou a bater na porta:
-Abra essa porta, Roberto!
-Eu tou deitado mãe!
-Tá nada, você ta é com aquela misera ruim!
-Tô não mãe, aqui só tem eu e o Gato.
-Abra a porta.
Depois de um tempo Roberto abriu. Ele estava com a misera ruim realmente. Ela começou a colocar a mulher para fora aos tapas, e Roberto de cabeça baixa alisando o Gato. Coitado de Roberto, ele precisa de uma Kétlin.
Quanto ao estágio durou até o dia que o chefe queria que eu ficasse até tardes da noite fazendo a merda do jornal dele. Ele ligou para a portaria da escola e pediu 3 hambúrgueres, um para mim outro para ele e outro para um cara que trabalhava lá também, mas como eu já estava puto da vida eu disse:
-Seu Almeida, tenho que ir, alguém me espera em casa, tenho que ir- e dizendo isso eu me piquei antes que ele pudesse falar algo. No outro dia ele me disse:
-Olha não tem muito serviço esses dias não, eu vou te pagar esse mês, e no próximo meus você aparece por aqui, tá?- eu:
-então tá então!
Quem disse que apareci lá? Minha pernas agradeceram.
Daniel Barbosa - 12:18
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3.1.05
Capítulo 9
(Marcio de Almeida Bueno)
Tudo bem que eu estava bem fora da casinha de tanta boleta pra levar uma boneca inflável ao restaurante, mas quem roubou ela deveria estar ou ser pior ainda. Quando algo assim desaparece, a sensação de desespero e solidão infinita, cósmica, é o que a gente costuma sentir. Lembro quando perdi a chave da gaveta que o meu pai usava para esconder - ou estocar - revistas pornográficas. Eu descobri a chave e passei a visitar a gaveta regularmente, tendo o cuidado de colocar a chave de volta exatamente no mesmo lugar que ele escondia. Até hoje lembro do que tinha naquela gaveta, aquelas tardes abafadas nos anos 80, ah... Um dia consegui perder a chave, não conseguia lembrar onde tinha deixado após chavear a gaveta XXX. E meu pai, pateta como era, nem deve ter se dado conta que a chave estava em outro lugar, e o resultado é que fiquei um bom tempo procurando inspiração nos livros de Biologia, desesperado!
O fato é que a Kétlin não estava mais junto comigo, e essa quebra do par perfeito me causava um estranhamento, uma náusea. Eu teria que procurar a criança, e uma caminhada dessas requeria estratégia. Ainda estava sentado na mesa do restaurante, dominado por esses pensamentos, tudo foi tão rápido. O pulha do garçom voltou novamente, com aquela cara de 'vejo que você obedeceu, finalmente'.
- Sobremesa? Um real a porção.
- Cadê a boneca?
- Creme, sagu ou gelatina diet.
- Eu perguntei sobre a boneca.
- Que boneca? Ah, eu... não vi, não vi mais - sorriu amarelo.
- Eu fui até o banheiro mijar e na volta ela não estava mais aqui. Seu restaurante costuma roubar dos fregueses é?
- O senhor está sendo deseducado. Se retire por gentileza.
- Ah, deseducado? - olhei para os lados, para me certificar que ninguém estava reparando no lance.
- Sim, deseducado - falou, imponente.
- Então tá - nisso, num só golpe, peguei o saleiro e joguei uma carga de sal nos olhos do infeliz, que berrou de dor, caindo no chão. Alguns fregueses olharam - e outros ignoraram, já que muita gente acha que para ser 'educado' não se deve olhar para os lados, em lugar público. - Eu falei que estava muito quente, amigo! - gritei mais alto ainda, cínico - Vamos no banheiro jogar uma água fria - levantei o sujeito, e consegui empurrá-lo até o banheiro. "Acho que nosso pedido vai demorar", ouvi alguém comentar com desdém.
No banheiro, dei um joelhaço no saco do garçom, o que tranquilizou e ao mesmo tempo o subjugou.
- Estamos mais calmos agora né? - perguntei, firme.
- Ufff... s-sim... - gaguejou ele.
- Vou perguntar e, a cada resposta errada, vou te causar um pouco de dor. Onde está a boneca?
- Eu não sei! - falou desesperado.
Eu não tive pena. Enfiei o polegar no olho dele, pressionando com força, ao mesmo tempo que apertava meu cotovelo contra sua boca, para não gritar. Deve ter doído pra cacete, pois o cara desmaiou. O olho se encheu de sangue, mas eu estava na adrenalina, e não estava nem aí. Há anos que queria descontar a raiva em alguém.
Ele ficou desmaiado, aí eu lembrei de um filme sobre a ditadura na Argentina, e coloquei ele debruçado sobre a privada, com a cabeça dentro do vaso. Puxei a descarga algumas vezes - a primeira deu até gosto, levando embora uma merda que parecia morar ali há dias - até que ele acordasse, engasgado.
- Gggasp! Bluerggh! - ele cuspiu a água suja, e vomitou.
- Cadê a boneca? - perguntei com a tensão controlada, como uma professora em frente a uma sala de aula turbulenta.
- Aaaahhh... No depósito, com os cozinheiros - respondeu, ainda de olhos fechados. O nariz sangrava.
- Vejo que você obedeceu, finalmente.
Cheguei no depósito do restaurante, nos fundos, depois de passar por vários corredores cheios de engradados de bebida, baldes brancos - daqueles industriais, que continham maionese, gente uniformizada correndo com bandeja na mão, e mulheres usando lenço na cabeça. Estava tudo escuro, uma luz fraca vindo de uma salinha me chamou a atenção. Cheguei perto e ouvi gemidos e respiração ofegante. Dois cozinheiros estavam traçando Kétlyn, dupla penetração anal. Com certeza vou me lembrar dessa cena no dia que estiver morrendo, delirando em uma cama de hospital, caindo de uma ponte ou de um vigésimo andar, rolando embaixo de um caminhão, sentindo o ferro quente de um tiro, ou o ferro frio de uma faca me lavando o bucho em sangue. Foi uma cena impressionante, sem dúvida. Rapidamente, peguei um garfo que estava no chão e avancei em direção aos dois homens. Golpeei com toda força nas costas do primeiro, que me olhou assustado, na fração de segundo antes de sentir dor. O segundo se desgrudou imediatamente da boneca, recuando em pânico. Ainda com o garfo na mão, senti minha superioridade. O cara estava pelado, apanhado em flagrante, vendo seu companheiro sangrar no chão de cimento daquele depósito.
- Deite no chão - gritei
- Calma, cara, você é da Polícia?! - ele arregalou os olhos
- Vai deitar a seco ou no sangue? - gritei mais alto. Tinha sido uma boa frase. Ele deitou rapidinho, de barriga para baixo, claro.
- Fica de olho fechado se não quiser morrer - avisei. O cara fechou os olhos com força, como se esperasse passar o temporal, o pesadelo. Nem pensei duas vezes - abri as nádegas dele, e dei uma garfada lá no meio, com toda a raiva do mundo. Nem sei onde acertei, saiu um jato de sangue sujo que me acertou o braço, o cara quase pulou até o teto, nisso o primeiro homem me deu um chute nas costas, eu caí em cima de uma mesa de buffet vazia, e ele saiu correndo. O segundo cozinheiro ainda se debatia, escorregando no próprio sangue e na própria merda, eu peguei a Kétlyn como o Tarzan agarra a Jane e saí correndo também, não atrás dele, mas fugindo de toda a situação. Passei pelos corredores, chutei alguns baldes, e atravessei o salão lotado de fregueses jantando. Antes de ganhar a rua, ouvi alguém dizer "o serviço aqui é muito bom, não acha querido?".
